As empresas brasileiras definitivamente adotaram o modelo de coparticipação nos seus planos de saúde corporativos? Pesquisa realizada pela Aliança de Saúde Populacional (Asap) em parceria com a Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH) revelou um crescimento de 13% na modalidade coparticipação dos planos de saúde empresariais entre 2017 e 2020. Estudo da Mercer Marsh Benefícios, publicado pela Exame, revelava que cerca de 74% das empresas utilizavam o modelo em 2022.
Pelos dados é possível perceber que, mesmo antes da pandemia, a modalidade coparticipativa já era tendência no meio empresarial. Em 2017, 59% das empresas adotavam essa categoria e, em 2020, subiu para 72%. A análise mostra também que 81% das corporações entendem a importância da saúde em suas organizações como média ou alta. Ainda assim, 83% acreditam que não conseguirão evitar aumento nos custos com saúde.
Mas, afinal de contas, o modelo de coparticipação nos planos de saúde corporativos é bom para a empresa? E para o funcionário? A coparticipação é uma modalidade em que, além da mensalidade, o cliente ou beneficiário paga uma porcentagem sobre cada serviço utilizado, seja uma consulta médica ou a realização de exames e outros procedimentos, dependendo do desenho do sistema. Em alguns casos, a própria empresa assume essa mensalidade e o usuário se responsabiliza apenas pelos valores referentes aos serviços utilizados.
Mas, trocando em miúdos, a coparticipação é uma alternativa que promove mais flexibilidade, criando uma relação de proporcionalidade entre custo e utilização. Ou seja, quem usa pouco os serviços do plano de saúde tem menos custos do que um usuário que acessa as coberturas do plano com mais frequência. As regras para utilização são estabelecidas e fiscalizadas pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).
Plano de coparticipação não pode penalizar colaborador
De acordo com Daniel Pontes, diretor da Adapta Gestão de Benefícios, a coparticipação, como mitigação de riscos, é muito boa. Mas ela não pode virar, segundo ele, uma ferramenta para barrar o funcionário de utilizar o sistema de saúde, pois dessa forma o custo pode ficar maior. Por esse modelo, algumas empresas adotam o sistema de percentual partindo de 10% até 30%, podendo ser adicionado um limitador de valor. “Há também companhias que preferem trabalhar com preço fixo por procedimento, como R$ 25 para consultas e R$ 15 para exames simples e R$ 30 para exames especiais, por exemplo”, aponta o diretor da Adapta. “O problema é quando se aplica a coparticipação sem a análise da capacidade financeira dos funcionários, gerando um sentimento negativo em relação ao plano e principalmente com a empresa”, argumenta.
O barateamento no valor da mensalidade é um dos benefícios mais ‘visíveis’ para a empresa que opta por um plano de saúde com coparticipação. Mas com ele, também vem a utilização mais consciente por parte das pessoas, reduzindo por consequência os custos da operação e assim, os reajustes. Vale lembrar que haverá coparticipação somente após a utilização do plano e será cobrada na folha de pagamento.
A dica então é, para empresas que são compostas somente pelo grupo da diretoria, se o uso do plano é esporádico, geralmente para a realização das rotinas anuais e em casos de urgência/emergência que ocorrem esporadicamente, a coparticipação pode ser uma boa escolha. Já para empresas com uma quantidade maior de pessoas inclusas no plano é sugerida a adesão ao sistema de coparticipação, mas com uma análise minuciosa do perfil da população no que tange a utilização e capacidade de absorção financeira.
Deixe a comunicação clara com seus colaboradores
A empresa, ao considerar pelo modelo de coparticipação em seu plano de saúde corporativo, deve garantir uma comunicação clara e transparente aos colaboradores, explicando os detalhes do sistema e os valores adicionais que podem ser cobrados. Além disso, é necessário instruir os colaboradores das melhores práticas de utilização de plano com objetivo de contribuir para a saúde física e financeira dos usuários do benefício.
A Adapta Gestão de Benefícios costuma promover, nas empresas que atende, palestras de orientação aos colaboradores. É uma maneira transparente de evitar ruídos de comunicação na própria companhia.